sexta-feira, setembro 07, 2007

Lembra-me de Nós


Já não sei quem és
Já não sei quem és para mim
Se não for demais, lembra-me de nós
Já não sei quem és
Já não sei que faço aqui
Se não for demais, lembra-me de nós

Talvez ele não tivesse dado tudo o que podia
Talvez ela não tivesse a certeza
Um dia sem esperar, um olhou o outro ao acordar
despertou e pensou para si:

Já não sei quem és
Já não sei que faço aqui
Se não for demais, lembra-me de nós

Quiseram os dois que não tivesse sido assim
Mas assim o escolheram
Ainda dormentes, no momento, disseram:

Lembra-me dos sitios onde andei, do que passei
contigo
Lembra-me os momentos que guardei - não tenho
lembranças

Lembra-me dos dias em que vivia por ti
Lembra-me as promessas que te fiz

Se não for demais, lembra-me de nós
Se não for demais, lembra-me de nós

Já não sei quem és
Já nã sei quem és para mim
Se não for demais, lembra-me de nós
(Margarida Pinto)


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domingo, setembro 17, 2006

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.

Caiu das mãos da criada, descuidada.
Caiu, e eu fiz-me em mais pedaços do que havia loiça no vaso.

Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
E os deuses que há debruçam-se da escada.
Para ver o que a criada fez de mim
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
E os deuses que há debruçam-se da escada
E sorriem à criada
Não se zanguem com ela.
São tolerantes...

A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu
A minha alma partiu-se como um vaso vazio
Caíu, partiu-se, caíu

O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?

Alastra a escadaria atapetada de estrelas.
Ao fundo um caco brilha entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
E os deuses olham-o por não saber por que ficou ali.

Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.

O que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?
Ai, o que era eu, o que era eu?
Um vaso vazio
O que era eu, o que era eu?

(Margarida Pinto)



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